Texto: Alessandra Baltazar (arteterapeuta)
Para
atuar como arteterapeuta o profissional deve ter uma graduação anterior nas
grandes áreas de Artes, Educação ou Saúde, possibilitando o uso da expressão
artística no contexto terapêutico dentro de um ateliê, escola, consultório ou
hospital, alterando apenas o setting arteterapêutico cliente/paciente e o
produto/processo expressivo.
Dentre os precursores da
arteterapia, os primeiros registros datam do século XIX, em que o psiquiatra
alemão Johann Christian Reil (1759/1813), usava da produção artística para
despertar no indivíduo o interesse pelo mundo externo. Para Reil, a expressão
obtida nos desenhos, sons, texto, movimentos se organizavam como uma forma de
comunicação dos conteúdos internos despertando maior ligação entre o indivíduo
e meio que o circunda.
Podemos citar também como
precursores da arteterapia a psicóloga americana Margaret Naumburg (1890/1983),
educadora, artista, autora e uma das principais teóricas da arteterapia. Sua
atuação foi intitulada de Artepsicoterapia em que propunha a liberação de
expressão espontânea e incentivo à associação livre por parte do paciente.
A irmã mais velha de
Margaret, Florence Cane (1882/1952), foi terapeuta artística e é considerada
pioneira da arteterapia por desenvolver uma prática no campo da arteterapia,
denominada de arte como terapia, que se apresentava como uma estratégia de
ensino da arte a partir das funções movimento, pensamento e sentimento.
No meio artístico, Adrian
Keith Graham Hill (1895/1977) artista britânico, Hill, provável autor do termo
"arteterapia" em 1942, pensava que, quando a resistência física do
paciente estava em seu nível mais baixo, isso permitia que os poderes criativos
da "essência espiritual" aparecessem nas obras de arte. Hill
também acreditava que a arteterapia poderia fazer parte do serviço de saúde.
No Brasil, os precursores
da arteterapia foram o recifense Ulisses Pernambucano de Melo Sobrinho
(1892/1943), primeiro médico psiquiatra brasileiro a estabelecer relações entre
Arte e Psiquiatria e o psiquiatra paraibano Osório Thaumaturgo Cesar
(1895/1979) notabilizado como um dos pioneiros no uso da arte como recurso
terapêutico em psiquiatria, bem como por sua oposição aos métodos agressivos de
tratamento de alienados.
Também contrária às
formas agressivas de tratamento psiquiátrico, a médica psiquiatra brasileira,
Nise da Silveira (1905/1999) fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional, em 1946
no Centro Psiquiátrico Engenho de Dentro (Rio de Janeiro). Esta psiquiatra
tinha sua compreensão baseada na Psicologia Analítica e foi aluna de Carl
Gustav Jung (1875/1961).
A Arteterapia teve seu início com a
atuação de Margarida Carvalho, cuja formação no campo se deu a partir de um
curso de extensão em Arteterapia com Hanna Kwiatkowska na PUC-SP, em 1964.
Seguiu seus estudos de forma independente, com atuação posterior na área.
Pode-se também citar Ângela Philippini, que recebeu influência de Nise da
Silveira e participou de grupo de estudos com arteterapeutas americanos e Selma
Ciornai, com formação a partir de cursos de extensão no país e mestrado em
Arteterapia nos Estados Unidos. (SEI, 2010, p.10).
O psiquiatra e
psicoterapeuta Carl Gustav Jung (1875 – 1961) também é considerado um dos
precursores do método da arteterapia a partir de sua teoria da Psicologia
Analítica, termo que passou a ser utilizado por ele em 1913, quando rompeu com
Freud e “sem saber muito o que pensar nem como, entrega-se, em seu jardim,
tanto quanto possível, a tentativa de construção, de modelagem e de escultura.”
(GAILLARD, 2010, p. 132) .
Na
Psicologia Analítica de Jung, a psique humana
está estruturada em consciente, inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.
A
consciência aglomera pensamentos, palavras, lembranças, identidade, sensações,
gestos, sentimentos, imagens, fantasias. Comum a todo ser humano, ela se refere
ao estar desperto e atento, observando e registrando o que acontece no mundo
que nos rodeia e dentro de nós.
[...]
O inconsciente pessoal(...) é composto pelos conteúdos esquecidos ou reprimidos
pelo indivíduo, deliberada ou involuntariamente, relacionados às experiências
vividas; refere-se a comportamentos civilizados ou passíveis de aprendizado.
Já
o inconsciente coletivo seria a camada mais profunda da psique, constituída
pelos materiais herdados da humanidade, cuja existência não depende de experiências
individuais. Aí estariam os traços funcionais comuns a todos os seres humanos,
prontos para serem concretizados por meio das experiências reais. (MONTEIRO, 2009, p. 23 a 25) .
De acordo com Fadiman
& Fragner, (1986, pp. 49 e 50) “Jung escreve que nós nascemos com uma herança
psicológica, que se soma à herança biológica. Ambas são determinantes
essenciais do comportamento e da experiência”.
Atualmente,
o estudo e trabalho em arteterapia no Brasil se ampliou, tornando possível a
realização de congressos e eventos nas áreas de educação, saúde, psicologia e arte.
A regulamentação da profissão a partir de 2013, possibilitou a ampliação de
cursos de formação e o aumento de bibliografia sobre o tema, sendo crescente a
formação de novos profissionais nas diferentes áreas de atuação de interface
entre a arte e a terapia.
Referências Bibliográficas:
GAILLARD, C. Jung e a arte. Pro-Posições,
maio/ago 2010. 121-148.
MONTEIRO, D. D. M. R. (. ). Arteterapia,
Arquétipos e Símbolos. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2009.
SEI, M. B. Arteterapia e
Psicanálise. [S.l.]: Zagodoni Editora, 2011.