quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A ARTETERAPIA




                                                                    Texto de Alessandra Baltazar, 2019



Os sentimentos são naturalmente ligados à expressão corporal, mas, sob um sistema de restrições e repressão, o corpo se congela pouca a pouco, e o indivíduo se torna limitado e estereotipado. O dialeto único, a entonação e os ritmos naturais do corpo são destruídos. Num sistema que define e recompensa o apropriado, o indivíduo se robotiza, os músculos se retesam, controlando a raiva; ele grita contra os venenos visíveis e invisíveis que o rodeiam. (MOUSTAKAS, 1995, p. 12 e 13).



Quando pensamos em arteterapia, geralmente a relacionamos com as artes visuais e as técnicas manuais de expressão dessas artes, porém, é importante lembrar que todo o nosso corpo é capaz de se expressar e criar através de movimentos, gestos, danças, sons, cantos e toques.

Sendo um método terapêutico ainda novo na sociedade, pois o reconhecimento da profissão data de janeiro de 2013, a arteterapia se constitui em um contexto de terapia diferente do tradicional, onde que os estímulos mentais são produzidos pelos materiais utilizados. De acordo com a Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo,



A arteterapia insere-se dentro de um contexto de exploração criativa e valorização do sensível, viabilizado por meio da utilização dos recursos artístico-expressivos.

(...) a arteterapia caracteriza-se por possibilitar que qualquer um entre em contato com seu próprio universo interno, com aqueles que estão à sua volta e com o mundo. À medida que a emergência da expressão se mostra cada vez mais indispensável, tanto mais o sentido da vida torna-se evidente e, consequentemente, o despertar do desejo de como aprender a lidar com os problemas, com os medos, com as deficiências, de modo a tornar os pensamentos e os atos mais consonantes com o viver pleno. (AATESP, 2019).

           

Utilizando da arte, considerada como expressão da alma humana, a arteterapia possibilita que os conteúdos desconhecidos da mente venham à tona sem o uso das palavras, permitindo o reconhecimento das necessidades próprias através do contato com seu próprio eu, com os que estão a sua volta e com o mundo.

Para que isso ocorra, entre tantas possibilidades, considera-se que a arteterapia pode trabalhar com alguns tipos de abordagens como a psicanalítica, a junguiana e a gestáltica.

A abordagem psicanalítica visa encontrar o porquê e aprender a lidar com problemas e deficiências em busca do viver pleno. O uso da arte e da linguagem não verbal, proporcionam uma ampliação da consciência acerca dos fenômenos subjetivos e de nossas experiências interiores (sonhos, fantasias, medos, memórias infantis e conflitos internos). “Uma vez que geralmente as pessoas, ao iniciarem um processo psicoterapêutico, se encontram com o próprio discurso muito bloqueado devido às resistências, a arte vem a ser um canal que facilita a comunicação.” (REIS, 2014, p. 150).

Na abordagem junguiana, a arteterapia possibilita encontrar o como reagir, pois, todos somos seres criativos e expressivos, sendo assim, artista de nossa própria vida, usando para isso a linguagem da alma.



Jung revela um universo repleto de mitos, símbolos, sonhos, religiosidade, arte e alquimia. Compreende o homem na sua totalidade e traz uma percepção de que a criação está dentro de nós e que, se quisermos conhecer o mundo, deveremos mergulhar mais em nós mesmos. (MONTEIRO, 2009, p. 21).





Já a abordagem gestáltica, a arteterapia visa identificar as situações do presente e definir o que fazer com tudo isso agora. A Gestalt terapia acredita que o ser humano se transforma a partir das relações que ele estabelece no momento presente. A base da Gestalt é que todos temos aspectos que foram reprimidos por não terem sido aceitos ou suportados. São esses os nossos sentimentos que acabam no plano de fundo e podem se transformar em assuntos inacabados que a arteterapia ajuda a resolver.

A arteterapia age como se fosse um descortinar dos olhos, coração e sentimentos, possibilitando descobrir quem somos e nosso lugar no mundo.

Cada pessoa tem sua maneira própria de criar seu desenvolvimento, e o arteterapeuta é o mediador que possibilita este autoconhecimento, motivando e direcionando o cliente na viagem dentro de si, através da arte.


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